O Cifras.pt esteve no Tortosendo Rock, no passado dia 16 de Novembro e, um pouco antes dos concertos, estivemos à conversa com uma das bandas da noite – os Casta Way, um grupo formado pelo Pedro (voz e guitarra), Alexandre (guitarra), Nuno (baixo) e Ricardo (bateria). Falámos um pouco sobre o início do projecto, as suas inspirações e as dificuldades em ser uma banda do interior. Lê a entrevista abaixo!

 

 

Para começar, falem-nos um pouco sobre o início dos “Casta Way”.

 

Pedro – Nós começámos em 2005, sendo que já nos conhecíamos antes, de outras andanças. Tínhamos também já tido algumas experiências musicais em conjunto e, por isso, também já sabíamos o nosso gosto pela música. Proporcionou-se a ideia de nos juntarmos nesta cidade da Covilhã e decidimos avançar. Eu por acaso nem fui dos primeiros a entrar, foi o Alexandre, o Nuno e o Rui, que não está cá, é que começaram com o projecto.

 

 

Falem-nos da escolha do nome, “Casta Way”?

 

P – Foi difícil arranjar um nome para a banda, mas como nós somos apreciadores de vinho. (risos) Então, os vinhos têm castas, não é? Acabou por ser simplesmente um jogo de palavras – “O Caminho da Casta”, ou seja, “Casta Way”.

 

 

Visto que vocês são grandes apreciadores de vinho, se tivessem de descrever o vinho da vossa banda, como é que o fariam?

 

Nuno – Talvez um vinho mais para o encorpado…

 

P – E maduro, também, já que estamos juntos há uns anos. Talvez também um vinho já um bocado velhote. (risos)

 

 

Mas muitos vinhos melhoram com a idade…

 

P – Pois é. Oxalá que sim, que seja esse o nosso caminho.

 

 

Relativamente ao vosso som meio grunge, meio metal, de onde vem a vossa inspiração?

 

Alexandre – Acho que é mesmo das influências iniciais. Todos nós temos uma idade que vai beber muito aos anos 90 e à música que nós ouvíamos nessa altura.

 

 

E vão todos beber, normalmente, da mesma fonte, ou cada um de vocês traz inspirações diferentes?

 

A – Acho que acaba por ser uma mistura.

 

P – Pois, eu sou mais do grunge, da parte vocal. O Alex é um pouco mais do metal e do heavy metal e o Nuno é uma mistura dos dois estilos, mais também algum rock progressivo.

 

A – E o Ricardo é ainda mais dark, não é?

 

P – Sim, tem influências um bocado mais underground, mais pesadas. Todas estas diferenças acabam por fazer o som dos “Casta Way”, porque cada um de nós traz a sua influência.

 

 

Falando deste evento em particular – o Tortosendo Rock – é a primeira vez que atuam neste palco?

 

P – Este festival já tem alguns anos. Entretanto, parou durante um tempo e agora voltaram outra vez. Nós tocámos, aqui, há uns valentes anos, talvez 2008.  Foi nos Unidos, aqui ao lado.

 

 

Quais são as grandes diferenças que vos saltam à vista?

 

A – A nossa primeira atuação foi mais intimista. Para já, estávamos mais nervoso e, além disso, a outra banda que ia tocar era os Jigsaw.

 

P – Foi numa sala dos Unidos, numa biblioteca, uma coisa mais pequena, o que levou a um ambiente mais intimista. Até tinha uma lareira acesa! Brutal, mesmo.

 

Casta Way - Tortosendo Rock 2019

Casta Way – Tortosendo Rock 2019

 

Para além do concerto de hoje, têm mais algum agendado? 

 

P – Neste momento ainda não, mas nós tocamos muito aqui na zona, também pelo facto de sermos aqui da Covilhã. Mais bares, alguma festa ou outra.

 

A – Sim, mais porque temos todos vidas profissionais bem activas e acaba por ser sempre difícil conjugar.

 

P – Estarmos nisto há 14 anos é porque de facto a música nos dá alguma coisa.

 

 

Nesses 14 anos, sentem que este projecto vos fez crescer, não só a nível profissional, mas também a nível pessoal?

 

P – Boa questão… A nível profissional nada, para ser sincero. As nossas áreas não têm nada a ver com música, já que trabalhamos todos na área da saúde. No meu caso, até foi mais ao contrário – o ambiente profissional é que trouxe coisas boas para a banda. Por exemplo, trabalhar com público permite-me estar mais à vontade para falar em entrevistas e concertos.

 

A – A nível pessoal sempre foi muito importante para nós conhecer outras terras, outras realidades, outras bandas e termos contacto com outras pessoas.

 

R – A nível musical – camaradagem, novas experiências, novos conhecimentos…

 

N – Pois, é o gosto de estarmos juntos, já que grande parte daquilo que nós gostamos de fazer não se resume só a dar concertos, mas também tudo aquilo que está por trás disso, por exemplo os ensaios. Foi o que nos motivou na altura em que começámos. Nem foi numa de ir dar concertos, mas sim a ideia de tocar música, brincar e espairecer. Sem qualquer estupefaciente à mistura, estamos sempre de bom humor quando saímos dos ensaios (risos).

 

 

Vocês sentem, na pele, a dificuldade de serem uma banda da Covilhã e o fosso cultural que caracteriza o interior de Portugal?

 

N –  Sim, sentimos, porque, independentemente da qualidade do artista, o que acontece no Porto e em Lisboa é que a facilidade com que se recebe oportunidades ou convites para tocar é muito maior. Aqui, quem quer seguir qualquer tipo de carreira, tem de lutar muito mais. Nós notamos uma diferença muito grande, não só como banda, mas como pessoas que gostam de assistir a concertos.

 

P – Bem mais difícil ainda encontrarmos algo de que gostamos.

 

R – Pois, sendo que as festas dos santos populares é onde a gente costuma brilhar mais.

 

P – Até em bares é mais complicado porque, na perspectiva deles, o importante é que adaptemos o reportório ao público. Músicas mais mainstream e menos agressivas, para criar ambiente.

 

N – Lá está, no Porto e Lisboa há sempre sítios para tocar tudo e mais alguma coisa. Aqui não, os bares estão muito direccionados para uma vibe mais de unplugged e de covers.

 

 

Tocar em bares e festas, aqui pela Beira Interior, pode ser complicado, devido a falta de recursos, entre outros. Há alguma história caricata de um concerto que vos salte à memória? 

 

P – Temos algumas peripécias, como por exemplo, estar a chover no palco. Foi uma terra que nos marcou muito – Pergulho (risos). Tínhamos três pessoas a assistir e eram nossos amigos, sendo que chovia que Deus a mandava.

 

N – Lembro-me que, em Aldeia, numa festa qualquer, deviam estar à espera de algo do género da Ruth Marlene.

 

R – Tudo sentado em volta do palco…

 

N – E nós não tocámos música dessa geração. O pessoal ficou a pensar, “quem é que são estes gajos?” (risos).

 

A – Também nos roubaram a carrinha com o material todo lá dentro.

 

P – Roubar, não. (risos) É daquelas situações em que estás a descarregar o material, deixas a carrinha aberta e alguém, na brincadeira, desvia-a.

 

 

Falem-nos do futuro. Projetos que têm em mente, palcos que ambicionam tocar.

 

A – É uma boa pergunta, mas nós não costumamos discutir isso. Acho que a nossa maior ambição é conseguirmos ensaiar.

 

P – Estarmos os quatro juntos, já é uma ambição.

 

A – Outro objetivo que pretendemos alcançar, e que também já foi falado há muito tempo entre nós, é conseguirmos gravar originais, apesar de, em termos logísticos, seja bastante complicado.

 

N – Claro que está, no horizonte, o MEO Arena, um dia destes (risos).

 

Bad Dream

Musica gravada em take direto num ensaio 😉 Espero que gostem!

Posted by Casta Way on Tuesday, October 23, 2018

 

Guião da Entrevista

Marta Bessa
João Antunes

Condução

Marianna Miquilito

Transcrição e Edição

Marta Bessa

 




Adicionado por

Cifras.pt

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  1. Daniel Rocha

    25 Novembro, 2019 at 16:42

    Muito bom!

    • Cifras.pt

      30 Novembro, 2019 at 18:42

      Obrigado, Daniel! Continua a seguir-nos para mais entrevistas e novidades.

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