O Cifras.pt esteve com o vocalista dos Crab Monsters – Tiago Guterres, mais conhecido por Granada, no passado dia 15 de fevereiro, na noite de punk da Neverlate. Falámos sobre o início da banda, da experiências em produzir o primeiro álbum, o tipo de ambiente presente nos seus concertos e muito mais! Lê a entrevista abaixo!




Conta-nos a história de origem dos Crab Monsters.

 

T – Quem começou a banda foi o Tiago Dias, o guitarrista. Já tivemos outros projetos, individualmente – o Batista, baixista dos Crab Monsters, com o Tiago e eu com o Batista. Este foi um projeto idealizado pelo Tiago, que me ligou e disse: “O que achas de fazermos uma banda? A única condição é o Christophe ser o baterista”, mas quem tocou hoje connosco, foi o Jordi (ambos bateristas dos Crab Monsters). Mas essa era a condição para fazermos um tipo de som do agrado do Batista. O Christophe aceitou e o projeto começou, sem compromisso. Havia muito entendimento entre os quatro e uma facilidade grande em fazer músicas e, então, fomos crescendo naturalmente.

 

 

Relativamente ao nome, há alguma referência ao filme de 1957, “Attack of the Crab Monsters”?

 

T – Demos várias opções e depois votámos. Se calhar, até estava relacionado com o “Attack of the Crab Monsters”, já que foi o Tiago que propôs esse nome. Acho que Crab Monsters era o nome que melhor ficava na memória e a identificação com o filme foi uma coisa que sempre fizemos, publicamente. Além disso, crab tanto significa caranguejo como chato, por isso achámos piada.

 

 

Depois de lermos o vosso texto de apresentação no facebook, há uma pergunta que te queremos fazer: achas que ainda há o medo de desiludir a Mãe Beira Interior e tornarem-se nos seus escravos sexuais para toda a vida ou achas que já a estão a orgulhar, com todo o vosso crescimento?

 

T – Eu acho que orgulhamos, mas se ficarmos escravos, ao menos é da Mãe Beira interior. [risos] Acho que o humor também é parte importante dos Crab Monsters. Estamos os quatro no palco, com os decibéis a sair de lá e quando o som para, tem que haver boa disposição. Esse texto é da autoria do Tiago, o cabecilha do projeto, apesar de, muitas vezes, também me pedir para fazer uma publicação sobre isto ou aquilo. Eu sou mais influenciado pelo rock n’ roll e pelo punk, o Batista por hardcore, o Tiago por thrash e o Christophe por um hardcore mais melódico, mas é o contributo de todos que faz o nosso som soar assim, isto é, há um bocadinho dos quatro em todas as músicas.

 


O vosso primeiro álbum, “High on Guts”, foi lançado em 2019. Fala-nos da experiência em produzi-lo e do resultado, em termos de musicalidade.

 

T – Fizemos o primeiro álbum após sete ensaios e o segundo após um, sendo que, neste último, eu estava de direta. O Tiago mandou-me o áudio da guitarra, eu fiz as letras e, antes do ensaio, o Batista e o Christophe ainda não tinham ouvido nada. O Jordi entrou mais recentemente na banda por uma questão de incompatibilidade de horários, do Christophe. Nós começámos a banda sem compromisso nenhum e o pensamento era: “Se der, dá, se não der, não dá. Mas vamos tocar porque acho que pode resultar.” Então, fizemos seis ensaios e ao sétimo gravámos o “High on Guts”. Foi o Tiago, que também é técnico de som, que captou e masterizou tudo, na garagem, muito DIY. Agora, no segundo álbum chegámos à sala de ensaios, o Tiago trouxe o material de gravação e em seis horas, gravámos 8 músicas.

 

 

Achas que se tivessem tido mais ensaios, o som perdia o caos inerente do rock n’ roll?

 

T – Nós não sentimos essa pressão entre nós. Isso, aliado ao bom humor entre os elementos da banda, fez com que tudo corresse bem. Dissemos: “Se não fizermos um álbum hoje, que se f*da a banda”, o que acabou por resultar. No “High on Guts”, fazíamos duas músicas por ensaio, sendo que, às vezes, até chegámos a fazer três. Lembro-me de, num ensaio, estarmos há três horas a tocar a mesma malha e eu já estava farto daquilo. Então, acho que até fui eu que disse: “Se não fizermos uma malha em 15 minutos, mais vale acabar com a banda!” Em três, quatro minutos o Tiago inventou qualquer coisa e começámos a tocar. A questão é que, enquanto músicos, eles os três são muito coesos. Temos todos essa química, mas eles é que têm os instrumentos nas mãos e eu estou mais com a voz. É fácil as músicas saírem, isto é, não pensamos nelas de uma forma complexa, do género parte, refrão, parte, acaba. Inicialmente, até pensámos em fazer uma banda com músicas de um minuto ou de um minuto e pouco, com riffs dinâmicos. Pouco tempo de música, mas sempre a partir.

 

 

Para o pessoal que não vos conhece tão bem, o que é que podem esperar do ambiente de um concerto vosso, ao vivo?

 

T – Podem esperar energia, uma parede de som coesa, umas vezes mais do que outras, mas sempre com esse sentimento e essa vontade. O chamado rock n’ roll a 300 km/h. É isso que podem esperar e é isso que vão ter, porque não há outra maneira de fazer uma apresentação dos Crab Monsters. Apesar dos ensaios serem escassos, há sempre esse compromisso.

 

 

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Crab Monsters 14/02 📷 Evento organizado por Neverlate – Associação Cultural #crabmonsters #neverlate #punk #covilha

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Como foi a experiência de abrir para o concerto de reunião de uma banda de renome, como os Trinta & Um?

 

T – Vou ser muito honesto, para mim foi mais um concerto. Para o Batista, que sempre acompanhou os Trinta & Um, se calhar teve uma importância muito mais vincada. Mas obviamente que senti, porque respeito imenso. Ainda há pouco tempo vínhamos em viagem e eu disse que não ligava nada aos Trinta & Um e que nem conhecia bem a banda. Mas a verdade é que gosto cada vez mais do som deles, tal como dos integrantes da banda, como o Zé Goblin, alguém que eu respeito imenso. Foram bandas que cresceram com eles, aliás, eles é que cresceram com elas, se bem que o Tiago já anda nisto há muito tempo. Ele já tocou nos Mata-Ratos, tal como alguns membros dos Trinta & Um. Da minha parte, é uma banda que eu estou agora a descobrir, sendo que vai sair um novo álbum deles que, curiosamente, se chama “Granada no Charco”. [risos] Mas foi um concerto muito bem organizado pelo Emanuel, da Hell Xis Records, à qual os Crab Monsters e os Trinta & Um pertencem. Juntarmo- nos a eles foi algo que fez com que os Crab Monsters crescessem, se bem que nós, obviamente, contamos connosco próprios. Apesar disso, eles também tem feito por nós e a oportunidade de abrirmos para os Trinta & Um veio mesmo a convite da Hell Xis.

 

 

Relativamente a datas futuras, onde é que o pessoal vos pode ver?

 

T – Há sempre aqueles concertos pontuais que nós vamos tendo mas, marcado, temos a Fatela Sónica, aqui na Beira Interior, dia 6 de junho – um trabalho notável que o Miguel dos Mata-Ratos está a realizar. Já fez a 1ª edição, no ano passado, que correu muito bem, sendo que este ano tem tudo para ainda correr melhor. Tiveram lá Queers of Rock and Roll – um projeto que eu tenho com o Batista, Mata-Ratos, Taberna, entre outros. Este ano vão ter bandas inglesas, os Crab Monsters e Mata-Ratos. Nunca se ouviu falar tanto da Fatela como desde que o Miguel se mudou de Lisboa, já que ele também teve sempre o desejo de vir para o interior e o que é facto é que a banda também tem crescido em projetos e em eventos. Dia 20 de junho, vamos abrir para os grande M.O.D. e temos o Sublime Torture Fest, em Castelo Branco, em inícios de outubro. O conceito do Sublime é muito parecido com o Butchery At Christmas Time, aqui na Covilhã, sempre dentro do metal, grindcore, thrash e brutal death metal.

 

Gravação da Entrevista: João Ribeiro
Edição do Texto: Beatriz Alves




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