Num dia mais quente que o anterior, a tarde inicia-se à beira-rio, preparando-se para receber Vozes da Escrita – um segmento recente do festival que promove a leitura lírica e expressiva de vários convidados especiais. Este dia contou com a presença da radialista Inês Maria Meneses e do músico Rui Reininho. Para pena dos mais relaxados ao som dos artistas do Jazz na relva, Mathilda cancelou a sua atuação, tendo sido substituída por Gobi Bear.

 

Já no recinto de Coura, para marcar o início de tarde do segundo dia, os Khruangbin foram recebidos de braços abertos por um público groovy e cheio de vontade de gingar. Com alguns remixes de clássicos de dança, o trio do Texas mostrou-se seguro das suas composições instrumentais e conseguiu animar bem o público, para primeira banda do dia.

 

Pouco antes do final do concerto, ouvem-se as primeiras notas do simpático indie folk de Stella Donnelly. Por entre os seus singles, o concerto da cantora veio substituir Julien Baker e foi um momento bonito onde contou histórias, levando a uma união do público conhecedor das suas letras e da melodia por ela tocada.

 

 

FESTIVAL VODAFONE PAREDES DE COURA 2019
© Hugo Lima | hugolima.com

 

“Hi, we’re Alvvays from Canada and this is our first time in Portugal” exclamam cheios de entusiasmo, após uma forte entrada com o seu mais conhecido single. Vindos do Canadá, a banda era suposto atuar à meia noite mas entregou-se ao público português de igual forma. “Marry Me, Archie” foi uma música que despertou os pulmões de todos aqueles que conhecem a banda. Em pouco mais de uma hora, o indie-pop característico cumpriu as expectativas daqueles que os esperavam, terminando então a sua tour, com o fundo bucólico de Coura.

 

Numa contagem decrescente, os mais ansiosos esperavam a chegada do frontman de Boy Pablo, um dos artistas mais esperados do dia. A marcar o ritmo com um cowbell, o vocalista Nicolas Pablo puxa pelo público com os típicos “when I say, you say” e começa assim um animado serão durante o anoitecer. Sempre em contacto com o público, o concerto foi feito de “sing with me” e de palmas em uníssono. 

 

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Chega então um dos nomes novos mais esperados da noite. Cintos apertados porque Car Seat Headrest entrou com pedal a fundo, e pronto para arrancar com um grande concerto. Os mais fanáticos cantam as canções, em plenos pulmões, do início ao fim. E não são poucos. Todos aqueles que estiveram no concerto não ficaram indiferentes, sendo que era impossível não saltar e bater palmas em conjunto com o grupo. Houve direito a mosh, crowdsurfing e tudo aquilo que um concerto de rock deve ter. Para quem gosta de um indie-rock mais acelerado, este concerto foi exatamente o que esperavam. 

 

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Do outro lado, no palco secundário, ouvem-se as primeiras melodias de Avi Buffalo. Numa posição mais ingrata, visto que vieram substituir Yellow Days, foram encaixados antes da hora do cabeça de cartaz. O singer-songwriter-producer americano animou aqueles que quiseram fugir à multidão do palco principal.

 

Pelas colinas do anfiteatro, podem-se ver várias t-shirts dos Joy Division, o que explica a presença de um público mais velho neste segundo dia. Simultaneamente ao aumento de idade média do dia, também vemos um maior número de crianças. Acompanhadas pelos pais, estas estão prontas a ter como que uma aula de educação musical. A 10min da hora marcada, já se sente a ânsia no público. Assim que o relógio marca a hora e o jogo de luzes inicia, sabemos que vamos presenciar um grande momento em Paredes de Coura. Dito, feito. Os New Order fizeram aquilo que os LCD Soundsystem fizeram há dois anos atrás: entrar no “Top 10 concertos mais memoráveis de Coura”. A contínua comunicação de Bernard Sumner com o público e as batidas fortes misturadas com o teclado sintetizado trouxeram a toda a audiência um momento apoteótico. Por entre tributos aos tempos de Joy Division, com Ian Curtis, o público rendeu-se por inteiro aos New Order. Não foi preciso puxar por palmas, sendo que as mesmas eram batidas por próprio instinto de quem assistia. Após um pequena pausa para o encore, regressam ao palco para nos presentear com “Atmosphere” e a lendária “Love will tear us apart” de Joy Division (forever), levando todas as almas e corações a unir-se numa só voz e cantar em sintonia com Sumner. “Portugal, Obrigado!” diz, já sozinho em palco, de mãos levadas ao peito e com um sorriso gigante. 

 

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Numa posição mais ingrata graças ao alinhamento escolhido, seguem-se os Capitão Fausto a fechar o palco principal. Recebidos de forma calorosa por aqueles que escolheram ficar, não desiludiram com o repertório que todos já conhecemos. “Teresa” leva a multidão ao rubro, iniciando um moshpit junto das grades, e “Boa Memória” fecha com o público a cantar em uníssono. Ao som de “Here Comes the Sun” dos Beatles, despedem-se de Coura com o sentimento de dever cumprido e promessas para mais.

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Adicionado por

Helena Soares

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