Numa das noites mais frias das últimas semanas, caminho pelas ruas do Teixoso e entro no Grupo Desportivo Teixoense, sala que irá receber o Teixo Garagem Rock Vol. XVI. Com o habitual atraso de todos os festivais de música, aproveito para conversar um pouco com o Bruno Ventura, Vice Presidente da Associação Cultural e Desportiva Jovem Teixo, responsável pela organização deste evento.

 

Apesar de satisfeito por dar continuidade a uma tradição que vai já na sua 16ª edição, e pela capacidade de trazer bandas locais de qualidade, o Bruno confessa-me a preocupação do fosso cultural que é o interior do país e da dificuldade em trazer público para ouvir rock -“talvez se fizéssemos uma festa de funk brasileiro, não teríamos problemas em encher a sala, mas não é isso que queremos fazer”.

 

Com a tarefa algo ingrata de aquecer para uma sala um pouco vazia e ainda a digerir o jantar, os Dark Flamingo entram em palco. Ainda assim, não se deixam desmotivar pelo desafio e rapidamente começam a entusiasmar as pessoas e criam um ambiente de noite de rock. A banda formada pelo Ângelo (voz), pelo Manuel (guitarra), pelo Délis (bateria) e pelo Pedro (baixo e voz), trazem um metal poderoso e possante, capaz de trocar os bocejos da moleza do jantar por um headbanging sincronizado. Com um concerto sólido, os Dark Flamingo fazem o seu trabalho e, ao terminar concerto, já se nota uma sala mais cheia.

 

Dark Flamingo - Teixoso Garagem Rock 2019

Dark Flamingo – TGR 2019

 

Depois de um pequeno intervalo para fumar um cigarro e congelar o nariz, eis que entram em palco 2 rapazes que, para mim, fizeram o concerto da noite. Gary Yamamoto e Saci Pererê apresentam-se como dois gémeos siameses e mostram, durante uma hora e pouco, que uma bateria, um baixo e uma voz chegam perfeitamente para fazer espectáculo. Entre a capacidade impressionante do Saci Pererê de destruir no baixo e de cantar ao mesmo tempo e a performance impecável do Gary Yamamoto na bateria, o que se destacou, para mim, foi o sentido de humor do Saci, que, em inglês, ia contando histórias absurdas, mandando farpas cómicas às outras bandas e besuntando o tronco nu com cerveja. Entre constantes mudanças de ritmo, distorções na voz e no baixo e uma harmonia muito eficaz entre os dois músicos, Gary Yamamoto e Saci Pererê deixam o público pronto para o que vem a seguir.

 

Gary Yamamoto e Saci Pererê - Teixoso Garagem Rock

Gary Yamamoto e Saci Pererê – TGR 2019

 

Já com os alongamentos feitos, o público já sabia que o death, thrash e progressive metal que os Divine Ruin iriam trazer, de seguida, levariam aos mosh pits e headbangs da noite. E foi exactamente isso que aconteceu. As palavras do vocalista, “agradecimentos é no fim, estou com a pica toda para começar a tocar” deram a ideia que tanto o público como a banda estavam entusiasmados para curtir um metal possante.  Os Divine Ruin, formados pelo João Afonso (guitarra), pelo Joey Prazeres (baixo), pelo António Matos (guitarra) e pelo Guilherme Poeta (bateria), trouxeram-nos o tipo de música perfeita para, num espaço algo pequeno como aquela sala, o pessoal simplesmente se libertar e sentir. Houve de tudo, com saltos do palco para o público, mosh e bonés arremessados ao baterista.

 

Os Divine Ruin terminaram o concerto com uma participação especial do Simão Madaleno, membro da Associação Cultural e Desportiva Jovem Teixo e um dos organizadores do festival que, passados uns minutos, trocou a guitarra pela mesa de som e subiu ao palco, como DJ “Project Solid State”. Com a ajuda do DJ Stonecold (Pedro Guilherme) e de um gira-discos, ajudaram a criar o ambiente para os corajosos da noite, que se foram mantendo.

 

Project Solid State - Teixoso Garagem Rock

DJ Stonecold (Pedro Guilherme) – TGR 2019

 




Adicionado por

João Ribeiro

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  1. Simão Madaleno

    13 Novembro, 2019 at 21:56

    Gostei de ler os relatos no entanto contrutivamente criticando quero frisar que não só sendo o “técnico de som” faço parte também da associação e considero-me um impulsionador vital do tgr e da continuidade da sua realização, fico triste de não ter sido “procurado” para falar sobre este festival que ja testemunho desde os meu 14 anos e ajudo a levantar desde os 18 não desvalorizando qualquer outro membro da associação penso ser a melhor pessoa atualmente na associação para falar do festival, fico muito triste também por não ter havido a preocupação de falar com o dj e não emitir erros como aconteceu neste caso, sendo o projeto Solid State da minha autoria e sendo eu o dj “Solid State” apesar de ter pedido a um colega meu, o dj stonecold(Pedro Guilherme rapaz na imagem) se estaria interessado em participar comigo para uma brincadeira entre vinil e cd como método de reprodução das músicas.
    Penso ter existido falta de comunicação com as bandas e com os músicos. Bem como entender toda a história deste festival, pois decerto que existem pessoas com mais memórias, identificação, dedicação e vontade de manter de pé algo que é de extrema importância para a cultura, para a arte, para as novas gerações e para abrir mentalidades a todas as idades.
    Simão Madaleno

    • Cifras.pt

      14 Novembro, 2019 at 16:27

      Obrigado pelo comentário, Simão! Já respondemos por mensagem privada.

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