“Tugas do Rock” é uma rubrica semanal, que consiste numa série de entrevistas rápidas a bandas portuguesas de rock, que o Cifras.pt teve a oportunidade de ter no WoodRock, em Quiaios, no passado mês de Julho. No sexto episódio, partilhamos a conversa que tivemos com o Gonçalo Kotowicz, o Rui Guerra, o Miguel Costa e o André Gonçalves, mais conhecidos por “The Quartet of Woah”.

 

 

Para um público que não vos conheça, como é que vocês vendem o vosso som?

 

Gonçalo – Responde ali o Luís.

 

Luís / Fast Eddie Nelson – Não, não… (risos)

 

André – Mete a garrafa no meio, rodamos e responde quem calhar.

 

Rui – Essa pergunta difícil tem que ser para o Migas (Miguel), porque ele é que é o gajo das respostas difíceis.

 

G – Enquanto mastiga…

 

Miguel – Epá, estou a comer. Comecem vocês… (risos)

 

R – Pensei que estivesses a pensar na resposta.

 

A – Posso dizer só rock?

 

G Nós dizemos sempre isso. Na sua essência, é rock.

 

A – Aliás, nós sempre dissemos só rock. Depois começou a aparecer o stoner rock, algo que nos deixou, “mas isso é o quê?”

 

G – Sim, até fomos pesquisar.

 

A – Hoje em dia até se fala muito, mas em 2010, 2011, não se falava assim tanto. Principalmente cá em Portugal. Depois há o stoner rock, hard rock, grunge, sendo que gostamos desses subgéneros todos.

 

G – Até o prog rock e o psicadélico. Desde que tenha rock, a gente gosta.

 

R – Nós podemos compartimentar mas, no fundo, vai dar tudo à mesma raiz. Isto é uma linguagem bastante simples, até porque tem menos notas do que é normal. É o rock e o blues e a partir daí tens as micro gavetinhas onde um gajo se põe. Estás a concordar comigo, não estás, Luís? Preciso imenso que haja malta que concorde comigo. (risos) Em tudo isto da inovação também há um bocado de adaptação e da deficiência do próprio instrumentista, percebes? Às vezes, as tuas faltas transformam a coisa num passo mais à frente, simplesmente porque arranjas a tua linguagem, já que não aprendeste as outras. Também não me quero alongar mais.

 

G – Alonga, alonga. Vamos procurando aprovação ali no Luís (risos).

 

 

Falem-nos um pouco sobre o início dos The Quartet of Woah?

 

G – Eu e o Rui andávamos a namorar um com o outro, em termos artísticos, já há algum tempo. Já nos conhecíamos, ambos tínhamos projectos e, a dada altura, num dos projectos do Rui, precisaram de um guitarrista para uns concertos e convidaram-me. Eles gostaram, acabei por entrar para a banda e estivemos ali uns tempos, assim. Já nessa altura houve um bocado aquela certeza – a gente funciona, juntos. Começámos a falar um com o outro, numa de fazermos um projecto, uma banda, o que fosse. Depois vieram estes dois (Miguel e André) e fez-se magia. Nós ainda passámos por algumas ideias maradas, coisas fora da caixa que queríamos fazer. Também tivemos mais membros, mas depois acabámos por nos cingir aqui ao quarteto e foi aí que percebemos que o queríamos fazer mesmo era, lá está, rock.

 

M – E ligar a distorção. Lembro-me perfeitamente desse ensaio. Nunca mais me esqueci, quando a malta ligou a distorção. Porque, no início, estava tudo com medo. Não nos conhecíamos, ninguém sabia bem ainda o que fazer e haviam umas ideias no ar.

 

G – Umas ideias um pouco loucas.

 

R – Mas também é preciso mandar muita coisa para o lixo. Nós estivemos a juntar lixo, quase durante um ano.

 

G – Foi mais do que um ano, até.

 

R – Mas com calma. Primeiro, durante muito tempo, o André não estava lá.

 

G – Estivemos só os 3 a fazer coisas.

 

R – Também vínhamos de uma banda, os 3, por isso ainda tínhamos coisas na cabeça. Muito lixo, mas…

 

M – Mas eram ideias boas. Muito do primeiro disco foi aproveitar essas ideias que apareceram muito antes de haver músicas. Como por exemplo, a história do livro do primeiro álbum, “Ultrabomb”. Ele já vinha mais ou menos construído e é baseado num livro para crianças, sobre a guerra. Portanto, essa base estava feita, só faltava a malta ajustar e calibrar as coisas. Havia mais duas pessoas que estavam lá, mas tu sabes, numa banda, quem é que está para sair e quem é que está para ficar.

 

R – É engraçado que há pessoas que passaram por nós e, às vezes, quando estamos juntos, brincamos um bocado com isso. A ideia que eles ainda fazem parte da banda, porque trouxeram muito influência, contribuíram para deitar fora muito lixo e juntar outro, enfim. Tem tudo a ver com lixo, deitar cenas fora e reciclar outras. E depois, pronto, as coisas começam a encaixar. No nosso caso, foi mais quando nos identificámos como seres humanos.

 

G – É o processo. Até porque esse clique do “ligar a distorção”, como o Miguel estava a dizer, só se deu quando o quarteto ficou completo e o André entrou. Literalmente, o André chegou ao ensaio e  alguém disse: “opá, liga aí isso”. Até lá, andávamos noutras ondas.

 

M – Eles não ligavam a distorção  e eu tinha medo de tocar sem distorção, por isso tocava assim baixinho (risos).

 

G – E até é curioso porque, na altura, eu lembro-me de dizer ao Rui que só havia só um baterista que se identificava com isto – o Migas. Porquê? Porque o Migas bate com força e é do rock. Depois andámos ali um tempo a fazer lixo, a desaproveitar o Migas e esta energia toda que nós os 4 criamos. Não é? Acho que estavas quase a tocar de vassouras (risos).

 

M – Não é que seja preciso distorção para criar um espectáculo energético, com atitude e pressão acústica. Mas pronto, isso a nós não nos excita. Não acende o interruptor.

 

The Quartet of Woah - woodrock 2019

The Quartet of Woah – Woodrock 2019

 

Relativamente ao WoodRock, é a vossa primeira vez cá, enquanto músicos?

 

R – É a nossa segunda vez no WoodRock e a minha terceira, porque eu às vezes toco aqui com o meu patrão (risos). Sou assalariado do Fast Eddie Nelson.

 

 

Quais foram as grandes diferenças que encontraram desde a última vez, para agora?

 

R – Em primeiro lugar, uma diferença física. O palco rodou 90º. Estava no sítio onde estava a restauração. De resto, claro que notámos uma grande diferença, porque nós apanhámos o WoodRock, no inicio, há muitos anos atrás. Aliás, foi a primeira edição, em 2013, se não estou em erro. É um festival que teve uma evolução estratosférica e que agora é apontado como um dos grandes festivais de qualidade, em Portugal. Depois, na mecânica e nos recursos, obviamente que também há diferenças. Os recursos humanos nunca mudaram, mas isso é porque esta malta é espectacular e dá tudo. Seja onde for, este é um pessoal de trabalho e que gosta muito do que está a fazer.

 

M – Têm responsabilidade e confiança.

 

R – Tudo o que um músico pode querer é este tipo de entrega.

 

G – Chegamos cansados, mas sabemos que vai correr bem.

 

 

Para acabar, falem-nos de projectos futuros.

 

G – Estamos a pensar fazer uma holding de várias empresas e dominar o mundo (risos). Não, temos um álbum para pôr cá fora.

 

R – Vamos continuar em frente e isto é o que nós fazemos. E, portanto, isto vai continuar a acontecer. Estamos sempre a trabalhar, apesar de ser sempre difícil conciliar interiores com exteriores e trabalho de estúdio com festivais.

 

G – É isso, estamos com o terceiro disco em mente, agora. Tudo indica que vamos começar a gravar em Setembro, não é?

 

R – Sim, vamos começar a gravar coisas novas em Setembro.

 

A – Aliás, já temos andando aí a experimentar umas coisas novas. Algumas delas até vamos tocar hoje.

 

 




Adicionado por

João Ribeiro

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