“Tugas do Rock” é uma rubrica semanal que consiste numa série de entrevistas rápidas a bandas portuguesas de rock, que o Cifras.pt teve a oportunidade de ter no WoodRock, em Quiaios, no passado mês de Julho. No primeiro episódio partilhamos a conversa que tivemos com a Sara Inglês, o Pedro Ferreira e o João Vairinhos, mais conhecidos por Wildnorthe.

 

Começando sobre os Wildnorthe. Para quem não está familiarizado, como é que vocês descrevem a vossa identidade, enquanto músicos?

 

Sara – Os Wildnorthe começaram a ensaiar, em 2012. Conheci o Pedro porque ambos queríamos fazer uma banda e um amigo em comum apresentou-nos. Começámos a tocar em jams e correu bem. Como temos algumas referências distintas e outras em comum, demorou um bocadinho até descobrirmos o que é que era realmente o nosso som.

 

Pedro – Tu também começaste a tocar bateria…

 

 

Mas aprendeste sozinha?

 

S – Não, tive aulas de bateria, mas apesar de gostar daquilo e de me desenrascar, sempre fui uma baterista medíocre. Também comecei a cantar porque o Pedro também cantava e achámos que as duas vozes funcionavam bem. Sobre o nosso tipo de som – nós queríamos fazer algo que juntasse rock e música electrónica. Ainda assim, não estamos a especificar muito, visto que o nosso estilo é difícil de catalogar.

 

P – As pessoas dizem que somos um darkwave. Eu acho que somos uma electrónica mais pesada, com vocalizações etéreas e ritualistas.

 

 

E é a vossa primeira vez no Woodrock, como banda?

 

S – Exatamente

 

 

E como espectadores?

 

S – Eu vim o ano passado.

 

 

Que diferenças te saltam à vista?

 

S – Sendo um festival mais pequeno, para mim, é bastante interessante. Cativa-me mais do que alguns festivais maiores, neste momento. Apesar de ter gostado das bandas do ano passado, este ano está bastante superior. Os Coven, Linda Martini, The Quartet of Woah… Ficámos muitos contentes com o convite este ano!

 

 

Qual é a vossa preferência, tocar ao ar livre ou tocar em sítios fechados?

 

P – Eu gosto de tocar em salas, visto que acho que se adapta melhor ao que estamos a fazer. Nós acabámos de gravar um álbum, que está até numa vertente mais dançável, por isso imagino-nos mais a tocar num clube, num espaço fechado. Apesar disso, hoje tocamos no palco mato, ao ar livre, sendo que é sempre bom ter experiências e estamos curiosos para ver como é que corre.

 

S – Sim, acho que é um cenário muito interessante.

 

 

Falem-me um pouco das inspirações por detrás do vosso EP, “Awe”, de 2015, e sobre como foi o processo de gravação.

 

S – Essa foi a nossa primeira experiência em estúdio, juntos.

 

P – Na verdade gravámos um single primeiro que se chamava Wildnorthe. Tem também um videoclipe em que nós estamos na floresta. Isso foi a primeira gravação que tivemos e só depois é que veio o EP, em 2000 e… [risos]

 

S – Foi em 2015. Foi a nossa primeira experiência gravada dos temas que tínhamos na altura. Em termos de linguagem, O nosso som manteve a sua identidade, apesar de estar mais dançável, mais clean. Nós na altura ainda tocávamos com uma bateria analógica, sendo que neste momento é toda electrónica.

 

P – Ainda que ao vivo tenhamos baterista.

 

S – Sim, um baterista que toca um híbrido entre analógica e electrónica. Tivemos bastante feedback positivo quando demos uns concertos de apresentação do álbum.

 

 

Têm alguns projectos futuros em mente?

 

S – Temos um álbum que vai sair no final do ano – chama-se Murmur. Ninguém sabe o futuro, mas é a nossa linguagem mais dançável, mais electrónica e achamos que vai agradar a mais pessoas. É um som que, provavelmente, vai mais de encontro a públicos maiores e mais diversos do que o “Awe”.

 

P – Também utilizamos instrumentos diferentes e evoluímos bastante na parte na parte da produção. Nós semi-produzimos as coisas antes de irem para o produtor, sendo que nos ajuda em evoluirmos a forma como misturamos o som e as batidas. Eu acho que temos conseguido trabalhar cada vez melhor a batida, pois nós queríamos dar-lhe mais força. Também andámos na procura de outros sons e na ideia de querermos fazer algo mais dançável – isso tudo levou ao que estamos agora a fazer. O “Awe” foram músicas antigas que fomos fazendo, com espaços entre si, maiores ou menores, sendo que o resultado são 5 temas algo díspares. Achamos que, neste momento, conseguimos reunir um álbum com um som mais coeso, visto que também temos mais tempo. Mas diferenças entre os dois?

 

S – Se calhar as vocalizações também são um pouco diferentes, já que investimos um pouco mais na abordagem das vozes. No Murmur, cantamos os dois. Apesar de nenhum de nós ser vocalista de raiz, mas como éramos só os dois achámos que precisávamos de investir mais nessa parte.




Adicionado por

João Ribeiro

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