Já um pouco cansado, mas entusiasmado pelo cartaz da última noite, caminho até ao recinto, pensando um pouco nas vezes que já fiz esta viagem, nestes últimos 3 dias. O céu estrelado e a noite amena fazem a noite prometer. Passo pelo “W” iluminado que faz de entrada para o recinto principal e noto, de logo, um grupo maior de rockeiros do que na noite anterior, a esta hora.

 

Solar Corona foram os escolhidos para abrir a noite e fizeram-no, de que maneira! O trio clássico do Rodrigo Carvalho na guitarra, do José Roberto no baixo e do Peter Carvalho na bateria que são ainda acompanhados pelo Julius Gabriel, no saxofone, conseguiram acordar toda a gente com a moleza do jantar e conferir, logo de início, uma energia que caracteriza o WoodRock. Com um rock psicadélico que me surpreendeu pela positiva, o Rodrigo e o José eram dois extremos opostos – o Rodrigo com uma postura mais calma e o José a contorcer-se juntamente com o seu baixo.

 

Solar Corona - Woodrock Festival 2019

 

Depois de uma pequena pausa, eis que entram em palco os The Quartet Of Woah, uma banda que me deixou muito curioso desde a pequena conversa que tivemos a oportunidade de ter, umas horas antes do concerto.  Músicos experientes e com bagagem de qualidade, o Gonçalo, o Rui, o Miguel e o André trouxeram-nos rock. Rock puro. Sem brincadeiras. Com um estilo um pouco old-school, aumentaram a energia do ambiente, sendo que o público gostou e agradeceu na forma de aplausos e uivos. Para mim, a banda da noite.

 

The Quartet of Woah - Woodrock Festival 2019

 

Depois de uma boa surpresa, apanhei uma pequena desilusão. Não conhecia Church of the Cosmic Skull, mas não era aquilo que esperava. Devido à maneira como se vestiam, como se apresentavam em palco, ao número de elementos e como a sua música soava, passei o concerto todo com a sensação de estar a ouvir os ABBA, versão rock, apesar da sonoridade estar mais próxima das dos Queen. Não acho que tenham, de todo, conseguido manter o tal ambiente energético que as bandas tinham estado a implementar até agora. Ainda lhes dei uma hipótese quando vi um violinista, mas ficou um pouco escondido atrás dos outros, visualmente e sonoramente. Alguns momentos bons, com umas músicas interessantes e com um pop rock melodioso, mas deixou a desejar.

 

Church of the Cosmic Skull - Woodrock 2019

 

Linda Martini. O que dizer sobre eles? Cabeça de cartaz e talvez a banda mais esperada, pelo público, da noite. Não é fácil eles chegarem ao nível a que estão e continuarem a dar concertos de qualidade estejam onde estiverem. Neste dia, não foi excepção, sendo que os minutos demorados que nos fizeram esperar enquanto montavam tudo foram rapidamente esquecidos após a primeira nota soar. Trabalharam muito bem o público, isto é, deram-lhes músicas poderosas, com ritmos energéticos, quando eles queriam e deixaram-nos respirar com algumas baladas de rock mais lentas.

Em suma, estiveram à altura da reputação que têm vindo a construir em Portugal.

 

Linda Martini - Woodrock 2019

 

Numa noite em que já estava a chegar ao meu limite, visto que 3 dias de rock já são cansativos por si mesmo, quanto mais quando se está a trabalhar, os Sunflowers vieram para acabar em grande.  Uma guitarra, um baixo e uma bateria foi o que precisaram para tirar tudo o que restava de um público mais esgotado. Com um garage rock poderoso, este trio juntou-se no meio de um palco grande, como fazem muitas vezes, e deram o final que o público e o WoodRock mereciam. E assim acaba oficialmente este festival que, apesar de não ser dos mais conhecidos festivais de verão, tem uma qualidade e potencial muito surpreendente.

 

Sun Flowers - Woodrock 2019




Adicionado por

João Ribeiro

PARTILHAR

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *